Beato Pe. Mariano de la Mata,
Protetor das crianças e dos pobres

autor: Miguel Lucas

ÍNDICE

Introdução
Um apaixonado pela natureza
O homem dos selos e dos santinhos
O amigo das crianças
Peregrino do amor ao serviço dos mais necessitados
Diretor espiritual das Oficinas de S. Rita de Cássia
Cirineu que visita os doentes
Professor e amigo de seus alunos
Homem madrugador e serviçal na casa do Senhor
Sacerdote e religioso fiel à sua vocação
Homem de temperamento forte e sensível
Pátria e família formavam um dístico em seu coração patriota
Padre Mariano é visitado pela doença
Pe. Mariano faleceu com a bênção do Sr. Cardeal
O último adeus de Pe. Mariano
O milagre do Pe. Mariano
Algumas Cartas do Pe. Mariano

Introdução

Tive a felicidade de conviver e trabalhar com o Pe. Mariano os 12 últimos anos de sua vida, cinco dos que fui seu Pároco. Por isso, vou narrar principalmente o que vi e também o que ouvi sobre ele de algumas testemunhas oculares.

Nasceu no dia 31 de dezembro de 1905 no Bairro de la Puebla, Palencia, Espanha. Eram quatro irmãos e quatro irmãs. Foram seus pais Manuel e Martina. Os quatro homens foram agostinianos.

Fez o noviciado no seminário agostiniano de Valladolid, celebrou sua profissão de votos temporários diante do beato Pe. Anselmo Polanco, e sua profissão solene, no Mosteiro agostiniano de Nossa Senhora de La Vid, Burgos. Ali também foi ordenado sacerdote.

Depois de um ano na Espanha, foi destinado ao Brasil no dia 21 de agosto de 1931, e aqui residiu mais de 50 anos.
Em poucas palavras, poderia definir Pe. Mariano, como um homem de caráter forte, porém, de grande autodomínio, bom religioso, piedoso, amante dos pobres, dos doentes, das plantas, dos animais; amigo de seus co-irmãos, aos quais sempre servia com alegria, atenção, delicadeza e compreensão; por isso, era muito querido por todos. Tinha também grande amor à Eucaristia, a Nossa Senhora e forte devoção a Santa Rita. Pátria e família formavam um duo dinâmico que movia seu coração aventureiro, como Quixote, (mas ao estilo divino), cavalgando sobre o heroísmo e a abnegação.

Escreve o Pe. Avelino B. Panini, capelão do Hospital do Câncer e do Hospital Municipal: ”Falar do Pe. Mariano é falar das maravilhas de Deus: vivia a alegria cristã com exuberante energia; suas atitudes, seu olhar penetrante, seu modo de caminhar, seu jeito de ser, seu falar e ouvir demonstravam a serena segurança daquele que crê, ama, espera. Sentia-se que sua conversa conosco era a continuação do seu permanente diálogo com Deus. Por isso, tinha paciência em escutar-nos, sendo-lhe um fato natural, ter as palavras certas, adequadas, para cada momento.

Ele era muito interessante: expansivo, alegre, jovial, de uma simplicidade encantadora, transparente, diáfana como a luz. Sempre pronto para atender os necessitados, pobres e doentes, não conhecia e não media sacrifícios para socorrê-los, ampará-los”.

A fé e o amor foram as forças motrizes de sua obra admirável. Por isso, podemos dizer que é mensageiro do amor.
O Pe. Mariano é um santo de hoje para o homem de hoje.

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1– Um apaixonado pela natureza

Quantos foram os momentos vividos pelo Pe. Mariano no terraço do Colégio S. Agostinho, de São Paulo, cuidando com carinho de suas plantas! E se acaso se quebrava alguma, sendo ele enfermeiro, a cuidava como se de um enfermo tratasse.

Quando de manhã cuidava das plantas, colocava um chapéu e, sempre de batina, olhava para as folhas como se fossem pessoas, como se fossem parte dele. Realmente, as plantas eram as meninas dos seus olhos. Seu coração transbordava de agradecimento a Deus, diante de uma simples flor.

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2– O homem dos selos e dos santinhos.

Além de ter grande paixão pelas plantas, Pe. Mariano cultivou sua afeição pelos selos, as moedas e as fotos. Era especialista em selos de Nossa Senhora, do Vaticano, da Espanha e do Brasil. Sua coleção, que ainda se conserva com carinho, compreende uns 25 álbuns. Também colecionava moedas de vários países.

Outro costume dele era distribuir santinhos e medalhas de S. Agostinho e S. Rita. Quando a estação do Metrô Vergueiro estava sendo construída Pe. Mariano descia as escadas, para conversar com os operários, na hora do almoço. Levava santinhos, alguma comida e, principalmente otimismo. Os operários admiravam-se de suas belas e oportunas palavras, que lhes iam direto ao seu coração.

Também gostava de fazer fotos e de revelar, ele mesmo, os filmes.

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3. – O amigo das crianças.

O Pe. Mariano gostava muito de crianças. Onde estava a criançada do Colégio, alí estava. De vez em quando, punha uma criança no colo e, muitas vezes, quando ele percebia, o horário do almoço já tinha passado.

As crianças eram sua alegria. Trazia consigo balas para cativá-las. Após a Missa das onze, em S. Agostinho, as pessoas iam cumprimentá-lo, sabendo de antemão que haveria balas para as crianças.

Seus diálogos com elas eram preciosos. Ele atraía sua atenção, se adaptava a seus interesses e entrava em suas festas, misturando-se com elas, em suas algazarras.

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4. – Peregrino do amor ao serviço dos mais necessitados.

O Pe. Mariano era humano, sensível e amante dos pobres. Padre Paulo Tejedor, que também trabalhou como Pároco com ele, afirma: “Ele era visitado diariamente pelos pobres e mendigos da praça Santo Agostinho; dele recebiam um forte aperto de mão, e sempre uns trocados, comida, sopa e sapatos, etc. Os mendigos saíam da sacristia mais contentes pelo aperto de mão e pela prosa com o Pe. Mariano, do que pelos trocados. Durante a conversa, colocava sua mão direita sobre os ombros de seus queridos visitantes, muitas vezes, com feridas e sujos.

Nas noites frias do mês de junho paulistano, eu vi muitas vezes o Padre Mariano descer pelo elevador, sair pela porta dos fundos do Colégio e colocar cobertores sobre os mendigos, que estavam dormindo na calçada, debaixo da marquise do teatro.”

Os pobres eram seu fraco. Ele telefonava ao porteiro do Colégio S. Agostinho, pedindo que tratasse bem os pobres que ele mandasse, que lhes desse pão, café com leite, roupas e um sanduíche bem reforçado.

Afirmava que não acreditava que os pobres que lhe pediam o enganassem. E que, se por acaso, alguém o fizesse, todos precisavam do dinheiro que dele recebiam.

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5. – Diretor espiritual das Oficinas de S. Rita de Cássia.

A Associação e Oficinas de Caridade Santa Rita de Cássia, em número de 116, (94 na capital de São Paulo e 22 no interior), dedicam-se a costurar para os pobres.

Na época do Pe. Mariano o número de associadas era de 9.000. As instituições amparadas eram perto de 700 por ano. E os pobres e crianças socorridos, uns 80.000 também por ano.

Pe. Mariano foi seu Diretor espiritual durante 31 anos. As reuniões eram feitas na casa de cada presidente das Oficinas, uma vez por mês. Acompanhou a caminhada das Oficinas com muito amor, dedicação, paciência e entrega total de si mesmo. Nunca tinha pressa. A todas ouvia com atenção, quando consultado. Apressava-se a visitar os enfermos e moribundos das famílias das associadas. Eram muitos os pedidos. Como sacerdote atento e virtuoso, fez muitas amizades, que lhe granjearam verdadeira estima e veneração. Nas horas de angústia e de dor, consolava as viúvas e filhos dos falecidos. Nesses momentos era um verdadeiro pai para todos.

Com estas palavras, o Pe. Mariano abriu um dos livros das Atas de Oficinas de S. Rita: “Que as associadas, nas reuniões, sintam de perto o muito que podem realizar em benefício dos pobres e necessitados, para que o calor da irmandade possa comunicar-se aos corpos de nossos irmãos e às almas das associadas que têm algum tempo a dedicar ao melhor dos movimentos!”

E como consta também em outro dos livros de Atas das Oficinas, falando da caridade, Pe. Mariano citou a passagem do evangelho de São Mateus: ‘Eu estava com fome e vocês me deram de comer; estava com sede e me deram de beber; eu era estrangeiro e me receberam em sua casa; eu estava sem roupa e me vestiram; eu estava na prisão e, vocês foram me visitar. (Mt 25, 35-40)’. É isto o que as senhoras estão fazendo: vestindo os pobres e necessitados, visitando os doentes.

Aqui está definida a espiritualidade das Oficinas de Santa Rita, que durante muitos e muitos anos o Pe. Mariano tentou transmitir.”

Maria Augusta Tolosa, que foi Presidente das Oficinas de Santa Rita, diz que sentia no Pe. Mariano irradiação de simpatia, alegria e entusiasmo constantes.

No dia de Santa Rita, 22 de maio, Pe. Mariano benzia muitos centos de rosas, lembrando o episódio da roseira que floreceu milagrosamente no inverno frio da Europa, pouco antes da morte de Santa Rita. Estas rosas são usadas em qualquer necessidade, principalmente nos casos de doenças.

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6. – Cirineu que visita os doentes.

Pe. Mariano antepunha a necessidade do doente a qualquer outra urgência. Se alguma vez era criticado por não chegar no horário aos atos comunitários, ele respondia: “a comida pode esperar, mas a morte, muitas vezes, não espera, e não gostaria que alguém morresse sem sacramentos porem estar cumprindo horário”. Nunca tinha preguiça para deixar o que quer que fosse, de dia ou de noite, para atender os doentes.

Visitava muito o Hospital Municipal e o do Câncer. Pe. Avelino Panini, capelão destes dois Hospitais, diz que “o Pe. Mariano acudia com carinho e bondade os portadores desta terrível doença que amedronta a qualquer um de nós. Era um bálsamo sua presença, levando a comunhão e demais sacramentos, em qualquer hora, de dia e de noite. Lá, ele gozava da fama de santo, pois parecia o próprio Cristo semeando coragem e entrega total a Deus.”

Quando pediam na portaria do Colégio um Padre para visitar um enfermo, o Pe. Mariano só queria saber o endereço e ia correndo para servi-lo.

Os enfermos eram seu ponto forte. “Era o anjo dos enfermos. Na sua cidade natal, visitava anciãos e sempre lhes perguntava quem tinha doenças”, comenta sua sobrinha, a Irmã Mari Paz, agostiniana.

Ainda que tivesse a agenda cheia de compromissos, sempre tinha tempo para petições mais urgentes, de última hora.

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7. – Professor e amigo de seus alunos.

O Pe. Mariano foi professor de ciências naturais do Colégio S. Agostinho. Sua paixão era colecionar borboletas. Como professor, seus ensinamentos eram claros, simples e denotavam o amor que devotava a toda a natureza, sentido de caridade e proteção que conseguia e transmitia a seus alunos. Os alunos queriam-lhe muito, mas por ser muito simples, de vez em quando, o enganavam com suas brincadeiras. Os professores também o queriam muito, todos desejavam falar com ele, ouvi-lo. Os alunos o rodeavam, brincavam com ele, riam de suas saídas. Em uma palavra, os amava, fazia deles seus amigos. Soube fazer de cada aluno um amigo. Sua amizade permaneceria sempre e se manifestaria, ano após ano, até o momento de sua morte.

Foi Diretor espiritual dos ex-alunos durante muitos anos e se dedicou a eles com toda abnegação, por isso o amavam muito.

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8. – Homem madrugador e serviçal na casa do Senhor.

Na igreja de S. Agostinho, onde ele trabalhou como vigário paroquial, era considerado carismático. Sempre estava disponível para atender a todos, principalmente os mais humildes, para administrar a Eucaristia e ouvir as pessoas em confissão. Sua devoção à Eucaristia era tão grande que se levantava todo dia, às seis horas da manhã, para preparar o altar para as missas.

Tinha uma dedicação especial a todas as associações da Paróquia. Se Nossa Senhora não tivesse flores no altar, ele as trazia do terraço do Colégio, onde as cultivava.

Sua sobrinha Julia Martín diz que “a devoção à Virgem Maria era algo especial nele: sempre começava as viagens invocando-a, e ao passar diante de uma capela, fazia uma oração com a evocação própria do lugar.

Freqüentemente, ex-alunos e amigos o procuravam para batizar seus filhos ou celebrar seu casamento.

Era um homem de fé. Quando alguém lhe pedia que rezasse por uma pessoa necessitada, ele respondia: “Tenha fé, vai alcançar a graça.”

Cecília Maria de Queirós, secretária da Igreja Santo Agostinho, diz: “Pe. Mariano falava muito da devoção ao terço. E ele ia para lá e para cá, rezando o seu ‘breviário’ ou o seu terço. Era um sacerdote piedoso. A oração lhe era indispensável, por isso nos recomendava para orar muito e sempre. Edificava vê-lo no altar, ou participar de suas celebrações eucarísticas. Ao celebrar a santa missa, parecia em outro mundo, em oração, com os olhos fechados, completamente absorvido.

Colocava as coisas de Deus sempre em primeiro lugar. Ele mesmo se oferecia a substituir seus companheiros, quando sabia que estes tinham outras obrigações fora da Igreja”.

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9. – Sacerdote e religioso fiel à sua vocação.

Era uma pessoa boa para todos.

Apesar de ter um caráter firme e até forte, não me recordo nunca de tê-lo visto mal-humorado, nem maltratar alguém com palavras ou atitudes. Jamais, o escutei falar mal de alguém, nem comentar os defeitos alheios.

Era alegre.

Sempre encontrava um detalhe ao seu redor para festejar, para fazer a vida mais amável. Sempre tinha uma palavra oportuna para as qualidades alheias. Tinha um relacionamento pessoal extraordinário, caloroso, acolhedor. Não criava empecilhos, barreiras, de espécie alguma. Seu objetivo no relacionamento era a pessoa. Sua presença contagiava alegria a todos, com o amor e a afabilidade que irradiava.

Era muito humilde.

Nunca alardeava suas qualidades. A família nunca sabia dele mesmo, de seus sucessos, ou seus cargos na vida religiosa, nem sequer de seus estudos e títulos. Todo seu comportamento era um conjunto de simplicidade e humildade.

Tendo exercido cargos importantes, nunca se considerou superior aos outros, antes tratava a todos como irmãos.

Também era um homem austero e pobre.

Sempre tinha presente as palavras da Regra de S. Agostinho que professa: “É melhor necessitar pouco que ter muito.”

Nunca se preocupou com a comida ou vestido. Tudo o que possuía era de todos.

O Pe. José Luis Martinez, que conviveu com o P. Mariano vários anos, diz: “Sempre me chamaram a atenção duas coisas nele:

1º - Sua atitude consciente perante a vida e os acontecimentos. Atitude esta em que se uniam entusiasmo e garra, otimismo e mãos à obra, empenho pessoal e confiança no auxílio divino. Não era de estranhar, que cativasse com muita freqüência aqueles que se relacionavam com ele e a ele vinham pedir orientação, ou simplesmente bater um papo. Até em situações difíceis ou desesperadas, conseguia vislumbrar e mostrar caminhos, oferecendo esperança.

2º A segunda atitude permanente em sua vida foi seu amor à Igreja e à Ordem Agostiniana. Creio que seu amor à Igreja já está bem caracterizado. Posso acrescentar que é um exemplo de sacerdote trabalhando com os leigos, com as associadas das Oficinas de S. Rita. Seu amor à Ordem Agostiniana, era demonstrado em seu costume de levar sempre o hábito religioso. Em sua vida comunitária, ensinou-nos a viver o essencial como agostinianos, e a não dar demasiada importância aos aspectos secundários, periféricos ou de pouca importância. Cultivava constantemente a oração. Vivia em harmonia e concórdia com os demais companheiros, até nos momentos mais difíceis, para se manter numa linha de respeito e de convívio positivos. Sua presença era desejada, porque significava um elemento de equilíbrio e de paz. Sofria quando alguém sofria, alentava os desanimados, ajudava os que precisavam de apoio... dando estímulo às pessoas, deixando as coisas em segundo lugar. Este foi sempre o seu compromisso. Com transparência fomentou a comunhão e a participação evangélica entre os co-irmãos agostinianos. Nada o demovia dessa difícil tarefa.”

Quando no ano de 1980 celebrou a missa de jubileu de ouro sacerdotal, apenas disse isto: “Meus queridos paroquianos, quero dizer a todos que aqui estão presentes e aos que não puderam vir, que se eu, nesses cinqüenta anos de sacerdote ofendi a alguém, hoje lhes peço perdão, pois minha intenção não foi ofendê-los”.

Esse foi seu grande discurso de humildade.

Sua sobrinha, a irmã Martina Martín, agostiniana, diz que “conhecer o Pe. Mariano e não conhecer o amor de Deus era impossível. Qualquer motivo era bom para falar aos outros de Deus, que era o grande motivo e orientação de sua vida. Sempre se esforçava por fazer a vontade de Deus. Todas as suas obras tinham a clara intenção de estender o reino de Cristo”.

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10. – Homem de temperamento forte e sensível.

Padre Mariano era incapaz de ocultar seus sentimentos e emoções.

Em 1980 estava com uma deficiência visual progressiva, decorrente de catarata senil. Foi operado em Belo Horizonte. O médico que o operou ficou admirado com a sua pessoa, e não quis cobrar o serviço prestado.

Após a cirurgia e o devido repouso, retirado o curativo, a reação do Pe. Mariano foi de louvor a Deus pelas cores do mundo e pela beleza da criação.

Ao chegar à igreja do S. Agostinho ficou perto do sacrário, ajoelhou-se e, completamente emocionado, disse: “Que maravilha! Estou enxergando o meu Deus!”

Depois foi até ao altar de Nossa Senhora da Consolação e chorando disse: “Minha mãe, que coisa maravilhosa estar te vendo toda colorida!”

Ao ir ao terraço do Colégio, chorou quando viu as cores de suas queridas plantas.

Tinha uma personalidade completa e variada: Muito enérgico frente às injustiças, suave e até ‘meigo’ com os desgraçados e os pequenos e uma figura sempre matizada de bondade, trato social fino, (delicado), alegre e contagiante, e com as autoridades muito respeitoso e fácil captador de vontades. Calmo e persuasivo, qualidades que empregou a fundo, na construção do Colégio de Shmidt e depois na obra do Colégio São José, em Rio Preto, que tantos suores lhe custaram.

De caráter reto, irrepreensível, conciliador, às vezes alguém o enganava, ou melhor, ele se deixava enganar, desde que isto servisse para ganhar a todos para Deus.

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11. – Pátria e família formavam um dístico em seu coração patriota.

Durante os anos difíceis da guerra civil espanhola, destacou-se o Pe. Mariano por seu acendrado e exemplar patriotismo fazendo, no Brasil, campanha nacionalista, arrecadando fundos para enviar ao Governo de Burgos (Espanha), correndo riscos e sendo perseguido por essa mesma causa.

Pelo seu trabalho em defesa sua Pátria recebeu muitas vezes felicitações, diretamente da casa civil. Foi condecorado pelo governo espanhol, com a medalha de Isabel, a Católica, a mais alta condecoração de Espanha.

Era adepto incondicional da Monarquia espanhola. Tinha em seu quarto o retrato dos Reis da Espanha. Inclusive, foi recebido em audiência por eles.

Nunca deixava “a boina” espanhola, pois era sinal de amor ao seu País.

No dia da Virgem do Pilar, cantava a Salve em castelhano, e fazia uma bela homilia porque depois de Deus e Nossa Senhora, o que mais amava era sua Pátria.

Amante da sua cidade e de sua terra.

Sua sobrinha, a Irmã Mari Paz nos fala do carinho correspondido do Pe. Mariano: “Parecia um ser-para-os-outros. Com a sua chegada à nossa casa, todos sentíamos sua presença amiga, a alegria mais sincera e a paz personificada. Nunca teve inimigos. Era amigo de cada pessoa da cidade; perguntava com todo interesse pela família, pelos seus trabalhos, lavouras, por tudo.

Fazia-nos sentir que em nossa pequena cidade havia coisas importantes.

Era um amante da família e da unidade.

Ante desavenças ou discussões, sempre intervinha como bálsamo que cura as feridas.

Sua palavra, seu silêncio ou sua atitude respeitosa sempre eram oportunas. Sacrificava tudo por causa da unidade. É curioso. Não me lembro de que o tio fizesse alguma reclamação de alguém. Quando havia algo incorreto, dava sua opinião ou fazia alguma reflexão. E quando não era atendido, não censurava. Calava-se e, com essa atitude que parecia de pena ou de sentimento, interpelava profundamente, de maneira que, ainda que não mudasse de opinião, já havia enviado uma mensagem explícita e muito clara. Mas nunca violentava a vontade da outra pessoa.

Estava sempre disposto a sacrificar seus direitos, desde que a unidade não se rompesse. Nada exigia para si, também não externava seus sofrimentos. Era todo extrovertido para festejar as boas qualidades dos outros. Era reservado para manifestar seus sofrimentos e pesares, que os teria por certo.

Seus cunhados só comentavam a bondade do Pe. Mariano.”

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12. – Padre Mariano é visitado pela doença.

Aquele que com tanta generosidade se entregou aos doentes, foi visitado pela doença.

Um dia, depois do almoço, Pe. Mariano sentou-se numa escada do pátio do Colégio. Perguntado por que ele se sentava nesse horário, respondeu: “Estou sentindo como se um gato me arranhasse o abdome”.

Foi acometido pelo câncer no abdômen e internado no Hospital do Câncer.

Aceitou e suportou a doença com grande resignação. Sofria grandes dores, mas esquecia de si, para ver como estavam os outros. Não obstante as dores atrozes, conservava uma constante alegria. Os gestos de amor que tinha para com todos os que o visitavam, com o pessoal de serviço e com os outros doentes, eram comentados por todos.

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13. – Pe. Mariano faleceu com a bênção do Sr. Cardeal.

A Irmã Mari Paz declarou: “Tive a sorte de acompanhar o Pe. Mariano nas suas últimas horas de vida.

Amanheceu a quinta-feira Santa. Os irmãos da Comunidade queriam que lhe fosse dado mais privacidade e maior atenção, de acordo com sua saúde, mas ele argumentou que na sala comum estava bem, mas contra sua vontade o passaram a um quarto individual.

Queria que eu visitasse a unidade de crianças com câncer. A seguir me disse: ‘Hoje é um dia muito grande, podem ir - seu primo e você - a almoçar com a Comunidade.’ Eu lhe disse que ficaria com ele. Disse-me ‘que não, que eu devia ocupar seu lugar no refeitório, com os Irmãos. Que era dia de comer e celebrar a Eucaristia juntos, pois era o dia do Amor.’

Recebeu a visita dos confrades da Comunidade, de amigos, do Sr. Cardeal Arcebispo de São Paulo, Dom Paulo Evaristo Arns; a todos correspondia com extenuadas forças e franca amabilidade.

Ao perguntar-lhe: ‘Pe. Mariano, como está?’ Respondia: ‘Bem, como Deus quer.’ Nem uma só alusão à sua enfermidade, a esse terrível câncer que o consumia. Nem uma queixa.

Na Sexta Feira Santa pela manhã, teve muita dificuldade para falar. À tarde já não falava e assim permaneceu Sábado Santo e Domingo da Ressurreição. Segunda-feira de Páscoa, cerca das oito horas da manhã, continuou a celebrar a Páscoa que não termina, a Ressurreição de Cristo. Nenhum movimento, nenhum gesto raro, simplesmente deixou de respirar e inclinou levemente a cabeça para o lado esquerdo.

A enfermeira que acabava de chegar, deu o aviso, a seguir. A médica que o atendia, não tardou a chegar e me disse: ‘Sei que é duro perder um ente querido. Sinto muito, mas tenho que dizer-lhe, que toda a equipe médica e de assistência, e particularmente eu, estamos muito contentes por termos atendido ao Pe. Mariano, porque assistimos a um santo. Essa convicção, temos todos nós, e penso que à senhora e à sua família lhes servirá de consolo ter conhecimento disso. Podem estar orgulhosos, porque Pe. Mariano era um santo!’

De verdade, essas palavras da Doutora, ditas no dia do falecimento de meu tio, no momento de sua morte, diante de seu corpo recém abandonado pelo seu grande espírito, ela à direita da cama e eu à esquerda trouxeram-me um grande conforto, diante da imensa pena de ver-se fechar para sempre aquela fonte de amor e ternura, que foi a vida do Pe. Mariano”.

A doença apresentou-se cruel, implacável, fulminante, levando aquele que foi e continua sendo chorado, não apenas por sua família de sangue, mas por toda sua família religiosa e por todos aqueles que sempre encontraram nele o homem bondoso, o mestre, o sacerdote, o pai e o amigo.

O Pe. Mariano falecia com 78 anos de idade, no dia 5 de abril de 1983.

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14. – O último adeus ao Pe. Mariano.

A cerimônia religiosa de despedida foi a manifestação mais clara de como era querido aquele homem de Deus.

A partir desse momento, sua morte atuou como uma intensa presença, que nos uniu a todos os que o conhecíamos. O povo simples e todas as pessoas com as quais ele se privara, se fizeram presentes, muitas vindas até de grandes distâncias.

Era impressionante ver ‘o desfile’ diante do féretro do Pe. Mariano.

A Igreja estava coberta de flores. O corpo desde a cintura - cingida com a correia agostiniana - até os pés, estava coberto com a bandeira espanhola, feita com pétalas de rosas vermelhas e amarelas. Entre suas mãos tinha o terço, símbolo de seu amor explícito que sempre teve a Nossa Senhora e que com tanta ternura tratava de inculcar a todos. Ademais, haviam colocado uma bela orquídea lilás - símbolo desta América, concretizada no Brasil, que prendera em seu coração e no trabalho de suas mãos durante mais de cinqüenta anos.

Comenta a Irmã Mari Paz: “Um fato surpreendente me manifestou a admiração que o povo tinha para com meu tio. Num momento desapareceram do seu quarto todos os objetos de seu uso. A enfermeira me falou: ‘olhe, só pude guardar este terço, o demais foi levado.’ Uma pessoa cortou um pedaço da batina para ficar com ‘uma lembrança do Pe. Mariano’. Mas era significativa a atitude das pessoas em querer reter algo de alguém muito especial. Surpreendeu-me também o ‘desfile’ de tanta gente ante o féretro do tio. Especialmente o gesto do capelão do hospital que não teve nenhum rubor , de sacar o terço de seu bolso e passá-lo devagarinho, com toda unção, pelas mãos, já frias do Pe. Mariano.

Assombrou-me ver um casal jovem, vindo de longe, trazer as fotos de seus filhos para passá-las pelas mãos do Pe. Mariano.”

Todo mundo estava no enterro: Pobres, associadas das Oficinas de Caridade de Santa Rita, alunos, ex-alunos, pais de alunos, professores, amigos, irmãos religiosos das diversas circunscrições agostinianas do Brasil, que concelebraram a missa do adeus, sobrinhos... todos com o coração sangrando e rezando com a Igreja, por aquele que foi um dos seus filhos mais fiéis.

Alguém dizia: “Perdemos um amigo, mas ganhamos um santo.”

A quantidade de pessoas que passaram pelo seu velório, as centenas de telegramas que choviam de todos os cantos do País, assim como algumas homenagens póstumas foram o melhor testemunho de que o Pe. Mariano era um homem de Deus.

Está enterrado na Igreja de S. Agostinho de São Paulo, Praça S. Agostinho, 79 (estação Vergueiro do Metrô).

O pedido de abertura do processo de canonização do Pe. Mariano foi feito a Dom Paulo Evaristo Arns, Cardeal de São Paulo, por mim e pelo Superior Maior, Pe. Pelayo Moreno, no ano de 1997. Lembro que ele nos disse: “Esse homem merece ser santo, esse sim.”

A beatificação será realizada no dia 5 de novembro de 2006, às 10:00 horas da manhã, na Catedral da Sé, São Paulo.

No dia 13 de novembro de 1992, foi inaugurada a Casa da Criança Pe. Mariano, em São Paulo, na rua Apeninos. Pouco depois se instalou o Centro Juvenil Pe. Mariano.

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15. - O milagre do Pe. Mariano

Depois de sua morte, sua fama de santidade correu de boca em boca.

Desde que o Pe. Mariano faleceu, muitas pessoas comunicaram acontecimentos extraordinários, depois de ter-se dirigido a Deus pela sua mediação.

Vou falar do maravilhoso milagre que o levou à beatificação.

Ele salvou de um acidente João Paulo Palotto, de seis anos, de São José do Rio Preto, São Paulo, no dia 26 de abril de 1996. Este foi atropelado por um caminhão que passou por cima de sua cabeça. João Paulo fraturou o crânio e se encontrava entre a vida e a morte. Alguns minutos depois de ter pedido a intercessão de Pe. Mariano, João Paulo se recuperou rapidamente sem deixar seqüelas. O dia 9 de maio, o menino se incorporou ao Colégio, e desde esse dia tem uma vida normal.

Como vemos, o Pe. Mariano é realmente um santo de hoje para o homem de hoje. Imitemos suas virtudes e acreditemos na sua intercessão.

O Pe. Mariano, mensageiro do amor, é considerado protetor dos pobres e das crianças.

GRANDES AMORES DO PADRE MARIANO
- A Eucaristia
- Nossa Senhora
- As Crianças
- Os Pobres
- Os Enfermos
GRANDES PAIXÕES DO PADRE MARIANO
- A Natureza
- A Família
- As Oficinas de Santa Rita de Cássia
- As Vocações Agostiniana

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16. - Algumas cartas do Pe. Mariano.

Vejamos alguns trechos de cartas do Pe. Mariano escritas a sua sobrinha a Irmã Socorro, agostiniana, onde manifesta a sua espiritualidade profunda.

“Minha querida sobrinha Socorro:

Quero que receba meus votos de um feliz e santo Natal. Recebi notícias sobre vocês. Pobre Evita, que perdeu a melhor amiga que pode encontrar-se na vida –a mãe! Ficou-lhe outra melhor, a que nos fica a todos, a que não morre e no-la deram nossas mães, quando éramos pequenos: a Virgem Maria. Se ela está conosco e nos esforçamos por ser bons filhos, nada poderemos temer. Coloquem isto no coração da sobrinha, para que saiba fazer-se forte, como boa cristã.

Para todas as irmãs religiosas boas festas de Natal e que peçam ao Menino Jesus pelos que não sabem pedir.
Um abraço muito forte para sua mãe e para você, todo o carinho de seu tio,”

Pe. Mariano de la Mata Aparício

Em outra carta à mesma sobrinha, Pe. Mariano escreve: “Natal! Dias de lembranças, dias de família, dias de amor e de ilusão. Jesus que nasce, que vem a nós e se faz nosso irmão. Nos pede o coração! Preparemos bem o nosso coração e o entreguemos a Ele, sem reserva! Sejamos dele e lhe demos o calor de nossas vidas!

É doce pensar que nossa vontade pode ser oferecida ao Senhor muitas vezes, durante o dia. Que vítima melhor que ela? Seja tudo para o Menino Deus, sem reservas, nem mesquinharias. Que melhor manjedoura poderá encontrar na terra?”

Em um trecho de outra carta à mesma sobrinha, Pe. Mariano diz: “Que depois de uma quaresma muito suave nos tempos presentes, possamos desfrutar de uma alegria sã e santa, porque em nossos corações cresceu o espírito de serviço e aumentou a fé e a convicção de que os caminhos que levam às alturas não são planícies sem fim, senão escabrosos e com abstáculos tremendos.

Cristo foi e terá de ser – até a consumação dos séculos – nosso exemplo, o caminho direto e único. Nesta quaresma, pensei muitas vezes o como somos mesquinhos, os homens! Quanto palavreado e coisas supérfluas em nossas vidas! O diáfano e claríssimo nos mostrou Jesus. Vejamos sempre o seu exemplo e procuremos segui-lo.

Quisera ver você radiante – como costumam estar almas boas – e fazer que essas santas alegrias se prolonguem toda a vida.”

Finalmente, vou transcrever mais um trecho de outra carta do Pe. Mariano para sua sobrinha, Irmã Socorro:

”Feliz Natal e feliz Ano Novo. Para que escrever, se não tenho outro remédio que dizer-lhe: Deus a faça cada dia mais santa!

Hoje, mais que nunca, necessitamos de corações generosos e inteligência desperta para sabermos compreender que necessitamos ser luz e amantes da luz que recebemos, quando nascemos. Às vezes, sobrinha, nos esquecemos de que temos de ser luz com o exemplo e sal, com a palavra de vida. É uma tristeza ver e ouvir muitos que não faz nada de proveito e ficar tranqüilos. É melhor ficar com a mão no arado e ver o que ainda nos espera por semear. Decididos, a trabalhar ante tal expectativa como se tudo dependesse de nós, já que Deus tem prometido não faltar-nos.”

Vejamos a última carta que escreveu Pe. Mariano antes de sua morte. Nela, manifesta, com muita simplicidade, alguns de seus sentimentos, tanto do tipo humano, como religioso e familiar.

São Paulo, 2 de fevereiro de 1983
“Meus queridos sobrinhos Juli e Tino.

Recebi sua carta e me encheu de alegria; sobrinhos maravilhosos! Escrevo de noite e com a vista que nada enxergava antes. Estão se dando conta de como nos quer Deus? A vocês, vos deu uma filhinha preciosa, e a vosso tio, a luz com que possa ver tantas maravilhas, como as que tem criado para nossa expansão... Os selos, os recebi em perfeito estado; são preciosos e muitos...; os que forem saindo, guardem-nos para no próximo verão, ter com que entreter-me.

Deus nos ama e nos protege sempre que a Ele acudimos. Seja a luz que ilumina os caminhos planos e pedregosos que prepare para nós na vida, e procuremos sempre sua companhia.

Um abraço forte para vocês.

Vosso tio que os ama e pede ao Senhor por todos”.

Pe. Mariano de la Mata Aparício

Carta dirigida aos agostinianos, como Superior maior do Brasil.

Nesta carta, que também pode ser de grande proveito para todos, Pe. Mariano ressalta o valor da caridade e da oração na comunidade.

“Como é bom e belo viver os irmãos unidos!

Graças sejam dadas a Deus Nosso Senhor, por conservar entre nós o laço de união que liga os corações: a caridade fraterna.

Se a caridade é fecunda, pois é amor, é também o vínculo da perfeição que tudo vence, tudo supera, enche todas as coisas para fazê-las sempre amáveis. Então é natural que busquemos essa virtude como fim supremo que sacie nossos anseios, tranqüilize nossas inquietudes e dê ao espírito o sossego e a paz, que tantos benefícios trazem sobre as Comunidades.

Tudo quanto de anormal e inconseqüente podemos apreciar: as rivalidades que empobrecem, os antagonismos que destroem,as ambições desmedidas, que servem de estagnamento ao contínuo crescer da via social, são como derivados da total ausência de caridade cristã. Como é bom e agradável viver, todos os irmãos unidos! As dificuldades se repartem, as esperanças aumentam, os defeitos se dissipam, as lutas são em comum, as vitórias se sucedem e a vida espiritual se acrescenta e se agiganta até chegar ao cume, onde está presente Jesus Cristo.

Viver com Cristo, lutar por Ele e para Ele, vencer é a tarefa que sintetiza as aspirações de nossa vida comum.

Desprezemos pequenas diferenças, tratemos de afugentar os restos de egoísmo, que talvez se insinuem em muitas de nossas obras; abramos o coração para que se cumpra em nós o: “levemos mutuamente as cargas, e assim cumpriremos a leis de Cristo.”

Seja esta a ordem, a norma de nossos atos. Ajudemo-nos mutuamente, para que nosso trabalhos tenham um remate feliz. Unidos todos, carreguemos juntos as dificuldades e veremos como os triunfos não admitem interrupção. Se nosso viver é comum, comuns será também as lutas e as vitórias, e desfrutaremos de uma vida próspera e vigorosa sob a sombra da fraternidade.

Se reinar a incompreensão, virão, como fruto amargo, as desilusões e as tristezas, e uma vida sem força e infecunda – propícia para secar as mais legítimas esperanças – mutilará os impulsos de nossos corações.

É simplesmente a compreensão (que, em última análise, é igual à caridade) que não podemos afastar de nosso caminho, se queremos que este seja de ascensão e de glória, e não de retrocesso e de vilipêndio.

É preciso que o reinado da virtude da caridade seja total e que jamais fique obscurecida por coisas de mais ou menos.

Aos Padres das Paróquias, se lhes lembra a obrigação de pôr em todas as suas obras a máxima diligencia. São o sal da terra e a luz do mundo, e estão em contato permanente com aqueles que esperam os exemplos. Que o fogo e o ardor que têm de comunicar às almas, seja recolhido na presença de Deus, ante o Tabernáculo, onde encontrarão, mediante a oração mental quotidiana, alívio a seus pesares, consolo em suas amarguras, decisão e coragem para a vida de abnegação e sacrifício.

A vencer! Seja esta a única idéia que domine nossas almas!

Deus guarde a todos, muitos anos.”

São Paulo, 23 de janeiro de 1947
Pe. Mariano de la Mata Aparicio

ORAÇÃO
Ó Jesus, Divino Salvador nosso, que vos comprazeis em exaltar a humildade do coração, dignai-vos glorificar o Venerável Pe. Mariano, que tanto trabalhou para vosso Reino, entre os pobres e humildes. Concedei-me, por sua intercessão, a graça que ardentemente solicito.
GLÓRIA ao PAI, ao FILHO e ao ESPÍRITO SANTO.

Existe outro livro com varias Cartas do Pe. Mariano.

Email para contato: osa@osa.org.brwww.padremariano.org

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